quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O que esperar do inesperado

Ele era a criança mais bonita da UTI, minha mãe que estava brigada comigo se apaixonou logo que viu, sem demagogia, era a criança mais linda nascida da minha família. Tinha tanto cabelo e arrepiado que parecia filho de japonês.
Ele nem tinha enxoval, pois me preparei tanto para o ´pior na gestação e quando ele chegou eu não sabia o que fazer, no fundo quando eu me questionava, acho que eu preferia que ele não tivesse vingado, quem ler isso vai me criticar, mas esse foi meu sentimento no meio de um turbilhão de acontecimentos e aos 24 anos ter a minha vida interrompida dessa maneira, porque justo eu tinha que ter um filho com tantos sês, porque eu nuca quis ser mãe, aquilo não podia estar acontecendo comigo, mas estava.
Pois bem, fui encaminhada para vários especialistas, pois a anomalia era tão rara que eles não conheciam outras crianças assim no Brasil, me pediram autorização para realizar uma postagem em uma revista e tudo, mais acho que não foi a frente.
Dentre os especialistas que visitei um deles foi um geneticista, que fez o exame chamado cariótipo para avaliar o defeito cromossomial e acredite, o de Kaíque deu absolutamente normal o que me leva novamente as Mãos de Deus, Ele, havia me escolhido e dessas Mãos ninguém escapa.



O futuro literalmente a Deus pertence


Kaíque, nasceu com uma sindrome raríssima chamada SDW Sindrome de Dandy Walker, que é uma malformação congénita que afeta o cerebelo e os fluidos que o rodeiam. As características principais desta síndrome são o alargamento do quarto ventrículo, a ausência completa ou parcial da área entre os dois hemisférios cerebelares e a formação de cistos na base interna do crânio.
Pois bem, Kaíque não apresentou crescimento anormal do crânio, apesar de todas as minhas ultrassonografias ainda na gestação apontarem para crânio aumentado de tamanho, fato esse que atribuo as Mãos de Deus, contudo, os exames de ressonância apontaram a anomalia.

As anomalias apresentadas foram: Polegares virados para fora, praticamente encostando nas bases das mãos, os dedos dos pés também não era uniformes, possuía uma mancha vermelha na testa e na nuca e seus testículos estavam suspensos, pois bem, é ai que a brincadeira mais séria de toda minha vida começava.


                                                                  Kaíque c/ 10 dias

Era risonho, quase nunca chorava, só reclama, mas não sabia sugar.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E a vida começa...


Com 23 anos me envolvi com uma pessoa que por mais que eu tente encontrar justificativa para o meu envolvimento com ele minha razão não encontra.
-Eu e os meus questionamentos!
Enfim esse relacionamento durou cerca de 3 anos de 1994 á 1997 quando descobri que estava gravida. A verdade é que o encanto por ele acabou quando descobri que estava gravida e durante o período de 6 curtos, PORÉM, longos meses que passamos sobre o mesmo teto, até ele me trair, é bem verdade que acabaria independente de qualquer situação que surgisse, mas eu estava disposta a esperar a criança nascer e ver como seria dali para frente. A ficha se quer tinha caído que eu estava grávida quando a caminho do sexto mês de gestão a ultrassonografia me aponta uma novidade é nesse ponto que a brincadeira começa, fui obrigada a entrar numa montanha russa e nunca mais me deixaram sair....

Antes de Kaíque


Sempre, fui muito ativa, com sonhos não muito comuns para uma menina mais com pensamentos e desejos promissores para uma mulher moderna, comecei a trabalhar cedo, já do meu estágio fiquei contratada e na mesma empresa permaneci por 09 anos.
Nunca pensei em me casar, muito menos ter filhos, eram coisas que não faziam parte dos meus planos, porque como uma boa mulher moderna eu não tinha sonhos e sim planos.
Estudei com muitas dificuldades financeira pois não tinha recursos, vim de família muito humilde, após quase 4 anos terminado meu segundo grau técnico consegui iniciar minha faculdade de Química, minhas amigas do curso técnico nesta fase já estavam no 5 período da faculdade de Química também, mais com muito sacrifício consegui iniciar.
Como sempre me considerei esperta e achava que certas coisas dificilmente aconteceriam comigo, contudo, quando estava indo para o terceiro período da faculdade descobri que estava grávida, não chorei, até ri, pois achava muito irônico aquilo está acontecendo comigo, e como uma mulher muito prática achei que poderia resolver isso sem problemas e é nesse ponto que levei uma pernada do destino ou sei lá o que.